Metadados: os dados que explicam os dados.

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Uma câmara municipal pode ter muitos dados: cadastro populacional, arquivos, impostos, licenças, instalações, contratos, atividades, ocorrências, assistência social, reclamações, subsídios ou informações orçamentárias. Mas por que não basta ter um dado? Porque ter dados não significa necessariamente compreendê-los bem.

Vamos imaginar que encontramos um arquivo chamado “listat_final.xlsx”. O que ele contém exatamente? É a versão correta? Quem o criou? Quando foi atualizado pela última vez? De onde vêm os dados? Ele pode ser compartilhado? Contém dados pessoais? É útil para gerar um relatório? Pode ser publicado? Está completo?

Se não conseguirmos responder a essas perguntas, temos dados, mas não temos contexto suficiente para usá-los com segurança. É aí que entram os metadados. Metadados são, em termos simples, os dados que explicam os dados.

O que são metadados?

Metadados são informações descritivas que nos ajudam a compreender um dado ou um conjunto de dados. Por exemplo, se tivermos um conjunto de dados sobre instalações municipais, os metadados podem nos dizer:

  • Qual é o nome do conjunto de dados?
  • O que contém?
  • Qual área é responsável por isso?
  • Quem o mantém atualizado;
  • Em qual sistema ou arquivo ele está localizado;
  • Com que frequência é atualizado?
  • se contiver dados pessoais ou sensíveis;
  • se pode ser compartilhado com outras administrações;
  • se pode ser publicado como dados abertos;
  • Qual é o seu nível de qualidade?
  • Para que usos é adequado?
  • Quais são as suas limitações?

Esta informação pode parecer muito básica, mas é essencial. Sem metadados, os dados são difíceis de encontrar, interpretar e reutilizar.

Um exemplo muito simples

Considere uma lista de instalações municipais. A lista pode conter o nome da instalação, o endereço, o tipo de instalação, o horário de funcionamento, o departamento responsável e o estado de conservação. No entanto, se não houver metadados, dúvidas podem surgir imediatamente:

  • Essa lista inclui apenas instalações abertas ao público ou também edifícios para uso interno?
  • Isso inclui instalações administradas por entidades?
  • Os endereços são padronizados?
  • As informações estão atualizadas?
  • Quem verifica se uma instalação permanece ativa?
  • Essa informação pode ser publicada no site da prefeitura?
  • É útil para o planejamento de manutenção?
  • É possível cruzar esses dados com informações sobre consumo de energia?

Os metadados ajudam a responder a essas perguntas. Eles fornecem contexto, critérios e confiabilidade.

Metadados não são apenas para profissionais de TI.

Os metadados são frequentemente vistos como um assunto técnico, mas na realidade são úteis para qualquer pessoa que trabalhe com informações municipais.

  • Para tarefas de secretariado, podem ajudar a identificar qual conjunto de dados está relacionado a um procedimento ou arquivo.
  • Para fins de intervenção, podem ajudar a identificar a origem de dados econômicos.
  • Para os serviços sociais, podem ajudar a identificar quais dados são sensíveis e quais medidas de segurança precisam ser aplicadas.
  • Para o planejamento urbano, podem ajudar a entender se os dados territoriais estão atualizados e qual uso pode ser feito deles.
  • Para atrair a atenção dos cidadãos, podem ajudar a fornecer informações mais coerentes.
  • Para um transparència, pode ajudar você a saber quais dados podem ser publicados e sob quais condições.
  • Para a área de TIC ou para o fornecedor de tecnologia, eles podem ajudar a integrar sistemas e evitar confusões.

Portanto, os metadados servem de ponte entre o conhecimento funcional dos serviços e a gestão da informação técnica.

Por que são importantes?

Muitas vezes, o conhecimento sobre os dados está concentrado na mente de poucas pessoas. Alguém sabe qual arquivo é o correto. Alguém sabe quando ele foi atualizado. Alguém sabe qual aplicativo contém as informações certas. Alguém sabe quais dados podem ser enviados para outra administração. Alguém sabe como aquele relatório do ano passado foi elaborado. Esse conhecimento é muito valioso, mas também é frágil.

Se não for documentada, mesmo que minimamente, essa informação pode se perder com mudanças de pessoal, aposentadorias, demissões, trocas de fornecedores ou reorganizações internas. Os metadados ajudam a transformar esse conhecimento informal em conhecimento compartilhado. Não precisa ser algo complexo. Um pequeno município pode começar com uma planilha bem simples para os principais conjuntos de dados.

O objetivo não é documentar tudo, mas evitar que informações essenciais dependam exclusivamente da memória ou da experiência de uma pessoa específica.

Quais seriam os metadados mínimos úteis?

Para começar, você não precisa descrever todos os detalhes técnicos. Pode começar com um conjunto mínimo de metadados bem práticos.

Por exemplo:

  • Nome do conjunto de dados.
  • Descrição resumida.
  • Área ou serviço de responsabilidade.
  • Pessoa ou função de referência.
  • Sistema, aplicativo ou arquivo onde ele está localizado.
  • Objetivo principal.
  • Frequência de atualização.
  • Tipo de dados que contém.
  • Existência de dados pessoais ou sensíveis.
  • Nível de qualidade percebido.
  • Principais problemas conhecidos.
  • Possíveis usos internos.
  • Possibilidade de compartilhar ou publicar.

Esses metadados já nos permitem responder a perguntas muito relevantes: o que temos, quem sabe, onde está, se é confiável, se pode ser reutilizado e se requer proteção especial. É uma base simples, mas muito poderosa.

Metadados e qualidade: duas faces da mesma moeda

Os metadados também ajudam a melhorar a qualidade dos dados. Se soubermos quem é o responsável por um conjunto de dados, será mais fácil corrigir erros. Se soubermos com que frequência ele é atualizado, podemos detectar informações desatualizadas. Se conhecermos suas limitações, evitaremos usá-lo para fins inadequados. Se soubermos sua origem, podemos verificar sua confiabilidade.

Por exemplo, um indicador sobre atividades municipais pode parecer correto, mas se não soubermos se todas as áreas registram atividades com os mesmos critérios, o resultado pode ser enganoso. Os metadados não garantem automaticamente que um dado seja bom, mas ajudam a entender até que ponto podemos confiar nele. Também ajudam a evitar um problema muito comum: usar dados fora de contexto.

Metadados e transparència

Quando uma câmara municipal publica informações, é importante que essas informações sejam compreensíveis. Não basta publicar uma tabela, um documento ou um conjunto de dados. É necessário explicar o que significa. representa, de que período é, como foi preparado, com que frequência é atualizado e quais limitações pode ter. Isso é especialmente importante na área de transparència e dados abertos.

Dados abertos sem metadados são difíceis de reutilizar. Podem gerar confusão ou interpretações errôneas. Por outro lado, dados bem descritos facilitam a compreensão e a reutilização correta por cidadãos, empresas, entidades, jornalistas, pesquisadores ou outras administrações. Os metadados são, portanto, também uma ferramenta de prestação de contas.

Metadados e interoperabilidade

Os metadados também são essenciais para o compartilhamento de informações entre administrações. Quando um dado precisa circular entre uma câmara municipal, um conselho provincial, um conselho regional, a Generalitat ou o Estado, é necessário entender o seu significado, o seu formato, o identificador que utiliza, o seu nível de qualidade e as restrições a que se aplica.

Sem metadados, o compartilhamento de dados pode acabar sendo uma troca insegura, ineficiente ou difícil de automatizar. Os metadados, por outro lado, facilitam a interoperabilidade, permitindo que sistemas e organizações compreendam e utilizem as informações de maneira consistente.

Isso é fundamental para reduzir a burocracia e evitar solicitar aos cidadãos documentos ou informações que a administração já possui.

Metadados e inteligência artificial

Fala-se cada vez mais sobre a aplicação da inteligência artificial aos serviços públicos. Mas qualquer ferramenta de IA precisa de dados bem definidos. Não basta ter muitos dados. É preciso saber o que eles representam, de onde vêm, se estão completos, se estão atualizados, se contêm vieses, se contêm dados pessoais, se podem ser usados ​​para um propósito específico e com que garantias.

Os metadados são fundamentais para o uso responsável da inteligência artificial. Sem metadados, é difícil saber se um dado é adequado para treinar um modelo, construir um indicador, automatizar uma classificação ou apoiar uma decisão. Portanto, trabalhar com metadados hoje prepara melhor os municípios para os usos avançados de dados no futuro.

DCAT-AP-ES. Melhor descrição dos dados municipais

Quando uma câmara municipal começa a fazer um inventário de dados, pode fazê-lo com uma folha muito simples: nome do conjunto de dados, descrição, área responsável, sistema de origem, frequência de atualização, sensibilidade, qualidade percebida e possíveis utilizações.

Este é um ótimo primeiro passo. Mas, se quisermos que essas informações sejam compartilhadas, comparadas, publicadas ou reutilizadas entre administrações, é importante que esses metadados sigam um modelo comum.

É aqui que o DCAT-AP-ES pode agregar muito valor.

DCAT-AP-ES é um perfil de metadados criado para descrever catálogos de dados públicos de forma homogênea. Em termos simples: é uma maneira comum de explicar o que é um conjunto de dados, quem o publica, do que se trata, como pode ser acessado, em que formato está disponível, com qual licença pode ser reutilizado e quais informações complementares precisam ser conhecidas.

Isso é especialmente útil para as autoridades locais, pois permite que os dados municipais não sejam descritos isoladamente ou com critérios diferentes em cada município. Se muitas autoridades locais descreverem seus dados seguindo o mesmo modelo, será mais fácil encontrá-los, compreendê-los, compará-los, federá-los em catálogos supramunicipais e reutilizá-los para gerar serviços, indicadores ou dados abertos.

Por exemplo, o DCAT-AP-ES ajuda a diferenciar entre o catálogo de dados, o conjunto de dados e as diferentes formas em que esse conjunto de dados está disponível. Uma câmara municipal pode ter um conjunto de dados sobre instalações municipais e oferecê-lo em vários formatos: CSV, Excel, API ou visualização web. Os metadados permitem explicar que todas essas versões correspondem ao mesmo conjunto de dados, mas que cada uma representa uma distribuição diferente.

Isso também ajuda a padronizar informações muito importantes: título, descrição, órgão responsável, tema, palavras-chave, frequência de atualização, abrangência territorial, formato, licença, condições de acesso ou link para download.

Para uma câmara municipal de uma pequena cidade, isto não significa ter de aprender uma norma técnica complexa. Significa que, quando se define o inventário mínimo e comum de dados do contexto local, este pode ser feito tendo em conta a sua futura compatibilidade com o DCAT-AP-ES. Assim, a informação recolhida hoje numa simples folha pode ser utilizada amanhã para alimentar um catálogo de dados, publicar dados abertos ou partilhar metadados com outras plataformas.

O papel da Rede de Governo Local Inteligente

Os municípios de pequeno porte não precisam definir por conta própria quais metadados necessitam ou como coletá-los. A Rede de Governo Local Inteligente pode agregar valor por meio de seus grupos de trabalho, ajudando a estabelecer um inventário mínimo e comum de dados para o âmbito local e, dentro desse inventário, um conjunto compartilhado de metadados essenciais.

Isso pode permitir que todas as entidades locais descrevam seus dados com critérios semelhantes: nome, descrição, responsável, sistema de origem, finalidade, frequência de atualização, qualidade, sensibilidade, restrições e potencial de reutilização.

Os grupos de trabalho também poderão ajudar a definir modelos comuns de gestão de metadados, adaptados à realidade das entidades locais e especialmente úteis para municípios com menor capacidade técnica.

Além disso, a Rede poderá contribuir para a identificação e o compartilhamento de soluções tecnológicas, de modo que os governos locais não precisem criar suas próprias ferramentas para documentar seus dados. Essas soluções devem ser simples, reutilizáveis ​​e voltadas para facilitar a manutenção do inventário e dos metadados.

A Rede pode promover casos de uso específicos que demonstrem o valor dos metadados: preparar dados abertos, construir indicadores comuns, melhorar a qualidade do cadastro, organizar dados de equipamentos, facilitar a interoperabilidade ou preparar projetos de inteligência artificial com garantias.

A AOC e o Espaço de Dados Mundial Local

O Espaço de Dados Mundial Local visa ajudar as entidades locais a fazerem melhor uso dos dados por meio de critérios, modelos, serviços e soluções compartilhados.

Nesse contexto, os metadados são essenciais. Sem metadados, não há inventário útil. Sem um inventário útil, é difícil governar os dados. E sem governança de dados, é difícil avançar em direção a serviços mais inteligentes, seguros e proativos.

O Consórcio AOC, em colaboração com os conselhos provinciais, conselhos distritais, Localret e outros atores locais, pode contribuir para facilitar modelos e ferramentas comuns que ajudem os conselhos municipais a descrever melhor os dados que já possuem.

Isso é especialmente relevante para municípios pequenos, que precisam de soluções simples, proporcionais e compartilhadas.

Explique os dados de forma que você possa confiar neles.

Os metadados podem parecer um detalhe técnico, mas são uma condição básica para confiar nos dados. Eles nos ajudam a saber o que temos, onde está, quem sabe, como é atualizado, qual a sua qualidade, como pode ser usado e quais garantias são necessárias. Por isso, os metadados são muito mais do que uma descrição. São uma ferramenta para preservar o conhecimento, reduzir erros e melhorar a sua aplicação. transparència, facilitar a interoperabilidade e preparar novas utilizações dos dados.

Porque quando explicamos melhor os dados, podemos usá-los melhor. E quando os usamos melhor, podemos fornecer melhores serviços públicos.

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