- Administração aberta
Os serviços de governo eletrônico são utilizados por 72% dos cidadãos da UE.
Em 2025, 71,9% dos cidadãos da União Europeia (UE) com idades entre 16 e 74 anos utilizaram sites ou aplicativos de autoridades públicas,...
As áreas metropolitanas tornaram-se espaços-chave para a transição digital. É nesse nível que convergem as necessidades diárias dos cidadãos, a governança democrática e as agendas europeias. Mas a transformação digital não é apenas uma questão tecnológica: é, acima de tudo, um desafio de governança, confiança e criação de valor público.
Esse foi o tema central da mesa redonda. "Visões para o futuro: cocriando a transição digital metropolitana", moderado por Mikel Berra (Metròpolis Digital, AMB), com a participação de Miquel Estapé (Consórcio de Administração Aberta da Catalunha – AOC), Juan Carlos González (AMB), Rebecca Marconi (ALDA), Spela Zalokar (ENoLL) e Levent Gürgen (Kentyou).
Na AOC, trabalhamos para fornecer infraestrutura e serviços digitais públicos compartilhados que permitam a mais de 2.250 entidades públicas na Catalunha – prefeituras, conselhos regionais e administrações supramunicipais – oferecer melhores serviços digitais aos cidadãos.
Nossa missão é clara: evitar reinventar a roda, incentivando a reutilização e a escalabilidade do que já funciona. A ação coletiva gera benefícios concretos: redução de custos graças às economias de escala, aplicação consistente das melhores práticas e padrões, implantações mais rápidas e serviços transversais projetados em torno dos eventos da vida das pessoas, e não em silos administrativos.
Para os cidadãos, essa abordagem se traduz em direitos digitais mais fortes, interações mais simples e uma melhor experiência com os serviços públicos.
Em um horizonte de 5 anos, uma transição digital metropolitana bem-sucedida é aquela em que a administração se torna verdadeiramente proativa: não apenas digital, mas capaz de antecipar necessidades, confiável e centrada nas pessoas.
Isso implica a transição de uma administração reativa para uma administração personalizada e proativa. Os cidadãos não devem ter que solicitar seus direitos repetidamente. As administrações devem ser capazes de detectar situações, verificar a elegibilidade e conceder serviços ou benefícios automaticamente, com base em dados confiáveis e em diretrizes legais claras. O melhor serviço não é o mais rápido, mas sim uma notificação informando que o direito já foi reconhecido.
Essa mudança é especialmente relevante em um contexto no qual os cidadãos percebem uma clara assimetria: quando se trata de pagar impostos, a administração sabe tudo; quando se trata de receber um benefício, parece não saber nada.
Essa visão se baseia em três pilares essenciais:
Na AOC, a inteligência artificial e a automação deixaram de ser projetos-piloto. São ferramentas que geram valor público em larga escala, reduzindo a carga administrativa e melhorando a capacidade de resposta tanto aos cidadãos quanto aos funcionários públicos.
Atualmente, os sistemas de IA são utilizados principalmente em três áreas: atendimento ao cidadão por meio de assistentes virtuais disponíveis 24 horas por dia, identidade digital com verificação biométrica para facilitar o acesso seguro e remoto a serviços e a área de serviços sociais, automatizando processos como relatórios de pobreza energética para alcançar pessoas vulneráveis de forma mais rápida e eficaz.
No entanto, a expansão do uso da IA exige uma governança robusta. É por isso que todos os sistemas de IA promovidos pela AOC estão sujeitos a salvaguardas claras: avaliações de transparència Algoritmos, supervisão humana obrigatória em decisões sensíveis, testes com usuários e alinhamento com a abordagem baseada em risco da Lei Europeia de IA.
A confiança democrática depende de transparènciaOs cidadãos precisam saber qual algoritmo os afeta, com quais dados e com quais garantias. A IA na administração pública não é um desafio tecnológico, mas sim um desafio de governança.
As ferramentas digitais devem reduzir as barreiras.eres Em uma democracia, o importante não é aumentar a criminalidade. Uma identidade digital segura e fácil de usar é fundamental para tornar a participação cidadã natural e acessível.
Na AOC, promovemos plataformas de participação compartilhada para governos locais, que permitem às pessoas contribuir com ideias, votar em propostas, acompanhar debates e construir inteligência coletiva. O grande desafio é a escala: quando a participação funciona, milhares de contribuições são geradas. Aqui, a IA pode ajudar a agrupar, sintetizar e analisar as contribuições, sempre como um apoio ao debate democrático, nunca como um substituto.
O verdadeiro elemento transformador reside em compreender a infraestrutura digital pública como um bem comum. Na Catalunha, quase 90% dos municípios não têm capacidade para liderar a transformação digital sozinhos. A resposta não pode ser a fragmentação, mas sim infraestruturas partilhadas e nativas da nuvem que garantam cibersegurança, interoperabilidade e equidade territorial.
A transição de projetos isolados para infraestruturas compartilhadas permite que nenhuma administração seja deixada para trás e que a transição digital fortaleça a coesão territorial, o valor público e a confiança democrática.
A transição digital só funciona se for construída coletivamente. O modelo da quádrupla hélice — administrações, setor privado, academia e cidadãos — é fundamental, embora complexo de aplicar. Na AOC, atuamos como facilitadores, utilizando metodologias de cocriação, design de serviços e desenvolvimento colaborativo.
A governança digital também não funciona em uma única escala. A Europa define os princípios, os Estados os operacionalizam, as regiões ampliam as soluções e o mundo local dá sentido à transformação. Nenhum nível consegue ter sucesso sozinho.