Construindo a metrópole digital: rumo a uma transição digital metropolitana cocriada e centrada nas pessoas.

Facebook Facebook Facebook Facebook Compartilhar

As áreas metropolitanas tornaram-se espaços-chave para a transição digital. É nesse nível que convergem as necessidades diárias dos cidadãos, a governança democrática e as agendas europeias. Mas a transformação digital não é apenas uma questão tecnológica: é, acima de tudo, um desafio de governança, confiança e criação de valor público.

Esse foi o tema central da mesa redonda. "Visões para o futuro: cocriando a transição digital metropolitana", moderado por Mikel Berra (Metròpolis Digital, AMB), com a participação de Miquel Estapé (Consórcio de Administração Aberta da Catalunha – AOC), Juan Carlos González (AMB), Rebecca Marconi (ALDA), Spela Zalokar (ENoLL) e Levent Gürgen (Kentyou).

Infraestrutura digital compartilhada a serviço de 2.250 administrações.

Na AOC, trabalhamos para fornecer infraestrutura e serviços digitais públicos compartilhados que permitam a mais de 2.250 entidades públicas na Catalunha – prefeituras, conselhos regionais e administrações supramunicipais – oferecer melhores serviços digitais aos cidadãos.

Nossa missão é clara: evitar reinventar a roda, incentivando a reutilização e a escalabilidade do que já funciona. A ação coletiva gera benefícios concretos: redução de custos graças às economias de escala, aplicação consistente das melhores práticas e padrões, implantações mais rápidas e serviços transversais projetados em torno dos eventos da vida das pessoas, e não em silos administrativos.

Para os cidadãos, essa abordagem se traduz em direitos digitais mais fortes, interações mais simples e uma melhor experiência com os serviços públicos.

Como será uma transição digital metropolitana bem-sucedida?

Em um horizonte de 5 anos, uma transição digital metropolitana bem-sucedida é aquela em que a administração se torna verdadeiramente proativa: não apenas digital, mas capaz de antecipar necessidades, confiável e centrada nas pessoas.

Isso implica a transição de uma administração reativa para uma administração personalizada e proativa. Os cidadãos não devem ter que solicitar seus direitos repetidamente. As administrações devem ser capazes de detectar situações, verificar a elegibilidade e conceder serviços ou benefícios automaticamente, com base em dados confiáveis ​​e em diretrizes legais claras. O melhor serviço não é o mais rápido, mas sim uma notificação informando que o direito já foi reconhecido.

Essa mudança é especialmente relevante em um contexto no qual os cidadãos percebem uma clara assimetria: quando se trata de pagar impostos, a administração sabe tudo; quando se trata de receber um benefício, parece não saber nada.

Essa visão se baseia em três pilares essenciais:

  • Dados de qualidade, bem gerenciados e utilizados de forma responsável;
  • Interoperabilidade real, com uma única fonte de verdade para cada dado compartilhado de forma segura e legal;
  • e a convicção de que a transformação digital tem a ver com confiança e valor público, e não apenas com tecnologia.

Inteligência artificial: valor público com garantias democráticas

Na AOC, a inteligência artificial e a automação deixaram de ser projetos-piloto. São ferramentas que geram valor público em larga escala, reduzindo a carga administrativa e melhorando a capacidade de resposta tanto aos cidadãos quanto aos funcionários públicos.

Atualmente, os sistemas de IA são utilizados principalmente em três áreas: atendimento ao cidadão por meio de assistentes virtuais disponíveis 24 horas por dia, identidade digital com verificação biométrica para facilitar o acesso seguro e remoto a serviços e a área de serviços sociais, automatizando processos como relatórios de pobreza energética para alcançar pessoas vulneráveis ​​de forma mais rápida e eficaz.

No entanto, a expansão do uso da IA ​​exige uma governança robusta. É por isso que todos os sistemas de IA promovidos pela AOC estão sujeitos a salvaguardas claras: avaliações de transparència Algoritmos, supervisão humana obrigatória em decisões sensíveis, testes com usuários e alinhamento com a abordagem baseada em risco da Lei Europeia de IA.

A confiança democrática depende de transparènciaOs cidadãos precisam saber qual algoritmo os afeta, com quais dados e com quais garantias. A IA na administração pública não é um desafio tecnológico, mas sim um desafio de governança.

Ferramentas digitais para fortalecer a participação cidadã

As ferramentas digitais devem reduzir as barreiras.eres Em uma democracia, o importante não é aumentar a criminalidade. Uma identidade digital segura e fácil de usar é fundamental para tornar a participação cidadã natural e acessível.

Na AOC, promovemos plataformas de participação compartilhada para governos locais, que permitem às pessoas contribuir com ideias, votar em propostas, acompanhar debates e construir inteligência coletiva. O grande desafio é a escala: quando a participação funciona, milhares de contribuições são geradas. Aqui, a IA pode ajudar a agrupar, sintetizar e analisar as contribuições, sempre como um apoio ao debate democrático, nunca como um substituto.

A grande mudança: infraestrutura digital pública compartilhada

O verdadeiro elemento transformador reside em compreender a infraestrutura digital pública como um bem comum. Na Catalunha, quase 90% dos municípios não têm capacidade para liderar a transformação digital sozinhos. A resposta não pode ser a fragmentação, mas sim infraestruturas partilhadas e nativas da nuvem que garantam cibersegurança, interoperabilidade e equidade territorial.

A transição de projetos isolados para infraestruturas compartilhadas permite que nenhuma administração seja deixada para trás e que a transição digital fortaleça a coesão territorial, o valor público e a confiança democrática.

Governança multinível e cocriação

A transição digital só funciona se for construída coletivamente. O modelo da quádrupla hélice — administrações, setor privado, academia e cidadãos — é fundamental, embora complexo de aplicar. Na AOC, atuamos como facilitadores, utilizando metodologias de cocriação, design de serviços e desenvolvimento colaborativo.

A governança digital também não funciona em uma única escala. A Europa define os princípios, os Estados os operacionalizam, as regiões ampliam as soluções e o mundo local dá sentido à transformação. Nenhum nível consegue ter sucesso sozinho.

Publicado em